Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de janeiro de 2011

devires (por paranax)

vamos à estação
esperar o trem

as horas passam a vida
a vida uva passa
& o trem não passou

de novo

como se o próximo passo
apagasse o anterior

como se o nosso agora
fosse apagado
daqui a pouco

como cigarros
em vãos de dedos

como se não houvesse
memória ou fotografias
reveladoras do passado

como, por exemplo, o cartaz
deste sarau do CDT

mas a verdade-provisória é que

os trilhos do trem

- que existiram na estação
e que podem  hoje serem
as barras de ferro da prisão -

foram todos extirpados - um a um -
à medida em que o trem andava;

então a pergunta que te faço num dia
de sol debaixo da cachoeira da nanazer é

onde estão os trilhos da estação?

e você me diz verão
e eu lhe digo onde

agora?
agora

aquele trem é um ferro

-velho

em algum lugar seus restos
à merce da fúria insaciável do tempo

como aquela escultura de
amilcar de castro no gramado

onde a noite mergulhou
dentro do sol

paraisópolis 2011; verão

dedicado àqueles

- que não puderam ver o trem apitar
porque partiu para nunca mais voltar
mas que constroem seus próprios

loucomotivos para existir

sábado, 29 de março de 2008

A vida das Ondas

Do viver se tira aos poucos
Sua essência de vida
Tão necessária à vida!
Uma explosão de cores
Com a cor que eu Quiser
Fui treinado pela solidão
A fazer o que quiser.
Do Everest ao Mar Morto
Suscetível a muitas formas
Tachado como anomalia
No âmago do desejo medra
Sofregamente : a terra
Pela segunda vez....
Vou longe, muito longe,
Sentindo uma causa esquecida
Trazendo você para mim
Como uma necessidade de vida
Pedaços de retalhos doidos
Borboletas na sombra da despedida
Adornando o ermo da lembrança
Oásis metafórico da festa de vida
Tenho a sensação de escrever
Em Hieróglitos para um Champollion
Sua mensagem de vida
E agora não é o verso (tal)
É o mapa da mina
Provando a matemática da vida
Obrigado por dividir comigo
Seu precioso tempo de vida...
As ondas voltam para dentro do mar
Suas lágrimas sem propósito.


Paraisópolis, 10 de Dezembro de 2001

Benedito Carlos