sábado, 29 de janeiro de 2011

devires (por paranax)

vamos à estação
esperar o trem

as horas passam a vida
a vida uva passa
& o trem não passou

de novo

como se o próximo passo
apagasse o anterior

como se o nosso agora
fosse apagado
daqui a pouco

como cigarros
em vãos de dedos

como se não houvesse
memória ou fotografias
reveladoras do passado

como, por exemplo, o cartaz
deste sarau do CDT

mas a verdade-provisória é que

os trilhos do trem

- que existiram na estação
e que podem  hoje serem
as barras de ferro da prisão -

foram todos extirpados - um a um -
à medida em que o trem andava;

então a pergunta que te faço num dia
de sol debaixo da cachoeira da nanazer é

onde estão os trilhos da estação?

e você me diz verão
e eu lhe digo onde

agora?
agora

aquele trem é um ferro

-velho

em algum lugar seus restos
à merce da fúria insaciável do tempo

como aquela escultura de
amilcar de castro no gramado

onde a noite mergulhou
dentro do sol

paraisópolis 2011; verão

dedicado àqueles

- que não puderam ver o trem apitar
porque partiu para nunca mais voltar
mas que constroem seus próprios

loucomotivos para existir

Um comentário:

Renata disse...

PIUÌÍ!